Escolha

Comprei.
Foram vinte minutos que pareciam a tarde inteira. Fiquei dando voltas, não queria aceitar que era aquele. Só por teimosia.
É caro? Eu tenho tempo? É caro?
Leio umas frases soltas e a coerência interrompida chama a atenção, ainda mais temperada pelas vozes. Existem tantos. Mas é este. É caro?
Melhor ler um pouco mais. Melhor tomar um café e pensar.
Melhor fechar e deixar lá.
Comprei.

culturalivraria

Sonhos Comprados

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Sonhos Comprados 

 

Como são patéticos os que observam
Como são mentirosas as vidas de outras pessoas
Como são lamentáveis os que conversam sobre
Como queriam estar ali

Quanto pagamos pela estupidez dos outros?
Quanto pagam pela minha?

(…)

                                                

                                                  Amadeus

Cena da Sé

poema

Cheiro

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Incrível é a sensação de sentir o cheiro de uma cena que já existiu. Agora mesmo senti isso!

Passou por mim, rápido, mas intenso, no meio da rua, na hora do almoço: o cheiro de uma viagem de muitos anos. E foi como se me transportasse para o lugar já perdido na memória. O passado se fez sentir retumbante numa sensação inacreditável. Não é déjà vu, é mais que isso. É um verdadeiro estar lá de novo.

Durou segundos, mas inundou tudo de tudo o que já foi.

O menino da noite.

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Há alguns dias eu estava passando pela Avenida Paulista e vi uma cena intrigante e triste. Era tarde da noite e o movimento já havia diminuído.

Em frente à agência de um grande banco, fechado e com pouca iluminação, estava um menino. Sujo, feio, sozinho e com as roupas rasgadas. Parecia uma cena de teatro. O cenário, a iluminação, o personagem e o figurino tão real. O menino jogava uma pequena pedra na porta principal. O alarme disparava. O menino corria sorridente. O barulho frio silenciava.

Pedra. Alarme. Sorriso. Silêncio.
Repetiu a operação umas três vezes, como quem brinca com um cachorrinho estimado.
Que irônica e romântica situação! Que comovente solidão inocente!
Saciada a necessidade de risadas, foi-se o menino pela fria e longa madrugada paulistana.
Silêncio.

Primeiro Passo

 

Não há fonte mais abundante de idéias do que o movimento da cidade. As pessoas, os carros, as lojas, o céu, os prédios, as filas, o trânsito, as conversas inaudíveis, as barulhentas, os pensamentos secretos, a violência, a emoção, os amores, as amizades, as avenidas, os restaurantes, os bares, os sonhos, os olhos — e eu.

Este é um blog infinito, sobre tudo o que palpita na cidade e nas pessoas. Welcome to the jungle.


Amadeus Orleans

Atravessando a rua, correndo atrás do ônibus, indo ao cinema, almoçando num restaurante, entrando na faculdade, jogando futebol, saindo de uma boate, tomando uma cerveja num bar -- e observando (e sentindo) tudo.

 

fevereiro 2010
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